28 de fev. de 2008

Educação e Assistência Social

9. EDUCAÇÃO
De acordo com a pesquisa, a maioria dos irrigantes (39,6%), tem o ensino fundamental incompleto, seguido de 30,9% de irrigantes que apenas assinam o nome e 13,3% que se consideram analfabetos.
Isto demonstra que o nível de escolaridade é bastante baixo, embora se deva acrescentar que 6,1% concluíram o ensino fundamental, 3,2% tem o ensino médio incompleto, 4,3% concluíram o ensino médio e 2,6% chegaram a completar o nível superior.
De uma certa forma esse resultado negativo - baixo nível de escolaridade dos irrigantes - é fruto do descaso que foi dado ao setor educacional durante grande parte de nossa história, quando não se tinha a preocupação em democratizar o acesso a educação e até não se tinha noção de sua relevância para o desenvolvimento de um povo. Os mais antigos relatam que precisavam andar quilômetros para ter acesso a uma escola e a maioria dos pais colocavam os filhos para ajudar na agricultura. Muitos achavam que “estudar é coisa de rico, de filho doutor.”
Nos últimos anos, em conseqüência da abertura política, da promulgação da constituição de 1988 e, principalmente com a municipalização da educação, verifica-se uma gradativa melhoria do setor nos municípios, principalmente naqueles cujos gestores são comprometidos com a garantia dos direitos socialmente conquistados.


Por outro lado, é importante destacar que em cada setor existe uma infra-estrutura básica de educação: Atualmente todos os setores dispõem de uma escola com ensino fundamental completo, excetuando os Setores D2 e C2, que dispõe de uma escola de ensino fundamental, mas que ainda não possui todas as séries. O ensino médio é ofertado pelas escolas da sede do município, sendo que a prefeitura municipal disponibiliza transporte escolar para os alunos durante os três turnos e cobrindo todos os setores.
Nas escolas dos setores C1 e C2 existe uma turma de “Educação para Jovens e Adultos”, atendendo a 51 alunos durante o turno da noite.
De acordo com dados da Secretaria Municipal de Educação existe 1.967 alunos matriculados nas escolas do Perímetro, conforme quadro abaixo:
É importante destacar também que o município é conveniado com a Universidade Estadual e dispõe de diversos cursos para aqueles que podem custear uma faculdade.
Ao analisar a tabela a seguir, verificamos que a maioria dos entrevistados (73,4%) considerou o ensino público como ótimo ou bom e apenas 26,6% não estão satisfeitos com os serviços prestados.
10. SAÚDE
Com a criação do SUS –Sistema Único de Saúde – e mais efetivamente a partir da implantação do Programa de Saúde da Família não é possível negar que houve um significativo avanço no que se refere à saúde das populações rurais, isto porque a equipe do PSF está mais próxima da comunidade.
Com isso, para cada setor existe uma equipe formada por um médico, uma enfermeira e um grupo de agentes de saúde que desenvolvem este trabalho, principalmente de caráter preventivo. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, em 2006 foram cadastrados 1.339 hipertensos, 330 diabéticos e 24 doentes de tuberculose. Sendo que as principais causas de óbito registradas foram as seguintes: AVC, hipertensão essencial (primária), infarto agudo do miocárdio, insuficiência respiratória não especificada, neoplasia maligna pulmonar, pneumonia não especificada, alcoolismo, afogamento, insuficiência cardíaca não especificada e diabeles não especificada. Ainda segundo a mesma secretaria, em 2006 foi notificado 74 casos de dengue, sendo que apenas 07 foi confirmado.
Por outro lado, a Secretaria Municipal de Saúde ainda informa que em 2006 foi registrado o nascimento de 442 crianças, sendo registrado o número de 445 mulheres grávidas acompanhadas pelo PSF. A taxa de mortalidade infantil registrada em 2006 foi de 11,3/1.000 nascidos.
Contudo, apesar dos ganhos, a saúde pública destinada aos irrigantes - assim como a toda população que depende do SUS - ainda não é a ideal: nos setores B, E, G e H existem Postos de Saúde com atendimento médico regular, já nos setores C2, D1 e D2 os atendimentos são realizados em locais improvisados e no C1 os atendimentos são realizados no posto do setor B.
Apesar das dificuldades do sistema, maioria dos entrevistados considera os serviços públicos de saúde como bom. Vejamos a tabela a seguir:

11. ASSISTÊNCIA SOCIAL
Conforme ressaltamos anteriormente, quase 60,0% dos irrigantes entrevistados são assistidos através de aposentadoria e 64,0% das esposas contribuem com a renda familiar através de aposentadoria. Este dado é muito relevante ao se levar em consideração que este benefício é um importante complemento de renda para os agricultores.
Segundo dados da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social 661 famílias fazem parte do “Cadastrado Único” e são beneficiadas pelo Programa Bolsa Família do Governo Federal, conforme quadro a seguir:


É importante destacar que a grande maioria desse público beneficiado são composto por famílias de agregados dos irrigantes – filhos, netos, caseiros – ou ocupantes das chamadas “áreas mortas”.
Por outro lado, podemos afirmar que existem poucos programas sociais com atuação direta no Perímetro: existe o ASEF (Ações Sócio-Educativas com as famílias), que é direcionado as mães cujos filhos estão matriculados na Creche Como é Bom Sonhar do setor E. O programa atende atualmente 70 mães e proporciona cursos de qualificação profissional e palestras educativas.
Um problema muito sério identificado no Perímetro está relacionado ao uso de drogas, onde uma média de 69,9% dos entrevistados afirmou conhecer este tipo de problema no seu setor. Essa média subiu muito nos últimos anos comparando com os dados do Marco Zero, que registrou o percentual de 41,2% dos entrevistados que afirmaram conhecer o problema no setor.
É importante ressaltar que o setor “E” é campeão nesse assunto com 100,0% da opinião dos entrevistados, seguido do setor “D1” com 96,4%, da 2ª etapa com cerca de 90,5% das respostas, do Setor C1 com 78,3% e do setor C2 com 69,1%. Os únicos considerados “calmos” em relação a esse problema são os setores “B” e “D2”, respectivamente com 39,6% e 8,0%.
Um dado que assusta é que na época do Marco Zero 25 a maioria dos usuários, segundo os entrevistados era formado por jovens, com 83,6% das respostas. Nessa nova pesquisa foi apontado pela maioria de 70,5% das respostas que o público usuário é composto tanto por jovens quanto por adultos. Esse dado aponta para a necessidade de que os serviços públicos se adeqüem a essa nova realidade. Quanto ao uso de bebidas alcoólicas os dados são ainda mais alarmantes, uma vez que uma média de 96,6% afirma haver este tipo de problema no seu setor, sendo que 90,4% dos entrevistados afirmaram que o público usuário é formado tanto por jovens quanto adultos.
Além dos problemas relacionados ao uso de drogas e bebidas alcoólicas, os entrevistados apontaram vários outros tipos de problemas no setor, sendo que o principal deles, com 88,7% das respostas foi a existência de furtos e roubos. Esse trata-se de um problema sério, onde a comunidade fez diversos manifestos – principalmente por causa dos roubos de material de irrigação, tais como canos e motores – mas até agora o problema não foi resolvido. Acredita-se que grande parte desse roubos/furtos são praticados por pessoas que residem nas proximidades.

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