12. SISTEMA DE ABASTECIMENTO D’ÁGUA
12.1. ESTRUTURA DE USO COMUM
A Associação do Distrito de Irrigação Curu-Paraipaba tem a função de executar as atribuições de administração, operação, manutenção e conservação das obras de infra-estrutura de irrigação de uso comum, com início na barragem de derivação, no Rio Curu, perenizado pelos açudes General Sampaio, Pereira de Miranda e Caxitoré até a chegada da água aos lotes. As obras componentes do sistema são:
o Captação (Estação Principal)
A barragem de derivação encontra-se completamente assoreada com penetração de sedimentos para a câmara de captação. As bombas ainda são originais com aproximadamente 32 anos de uso, não apresentando o mesmo desempenho inicial.
Em 2001, a estação tinha disponível apenas três conjuntos eletrobombas, pois um estava danificado (necessita de substituição de eixo do bombeador e recuperação da plataforma da câmara de captação) e os dois estavam em São Paulo, nas oficinas da ESCO (aguardando autorização para realização dos serviços mecânicos necessários). Atualmente, todos os conjuntos foram recuperados.
Embora o Distrito venha fazendo, na época do inverno, os trabalhos de manutenção necessários, verifica-se a irreversibilidade do processo de sucateamento do sistema e uma eficiência operacional muito abaixo do esperado ao normal desempenho dos equipamentos.
Barragem de derivação.
• Sifão com 414,00 m de comprimento.
• Sifão com 592,00 m de comprimento
Estação de Bombeamento Principal
Estação de Bombeamento Principal, com vazão disponível de 18.000 m3 /h, constituída de seis conjuntos eletrobombas, embora esteja sendo operacionalizado apenas 50% de sua capacidade.
Estação Reelevatória
Estação de Bombeamento Reelevatória, com vazão disponível de 3.600 m3/h, constituída de dois conjuntos eletrobombas
Os dois conjuntos eletrobombas existentes estão funcionando normalmente, sendo necessário o conserto de uma válvula de retenção para que seja evitado o impacto, nas bombas, do golpe de aríete.
Estação de Bombeamento B
A Estação de Bombeamento do setor B, com vazão disponível de 3.528 m3/h, é constituída de sete conjuntos eletrobombas.
Em 2001 dos sete conjuntos existentes somente seis se encontravam em funcionamento regular, pois o outro conjunto (250 cv) não estava operando por falta do bombeador.
Em 2007 – através de recursos do 6º Termo Aditivo ao Convênio PGE 03/04 – foi adquirido um bombeador novo e a estação está apta a funcionar com sua capacidade máxima.
Atualmente a estação opera com 86% de sua capacidade instalada.
Estação de Bombeamento C
A Estação de Bombeamento do setor C, com vazão disponível de 3.278 m3/h, é constituída de oito conjuntos eletrobombas, todos em condição de funcionamento.
Atualmente a estação está funcionando com 84,6% de sua capacidade.
Estação de Bombeamento D
Estação de Bombeamento do setor D, com vazão disponível de 2.952 m3/h, constituída de quatro conjuntos eletrobombas.
Em 2001, um dos quatro conjuntos eletrobombas necessitava do eixo do bombeador e mancais e atualmente o problema foi resolvido e todos estão em condições de funcionamento.
Atualmente a estação está funcionando com 83% de sua capacidade.
Estação de Bombeamento “E”
Estação de Bombeamento do setor “E”, com vazão disponível de 3.438 m3/h, constituída de sete conjuntos eletrobombas.
Todas as eletrobombas encontra-se em condições de funcionamento, operando com 85% de sua capacidade.
Estação de Bombeamento G
A Estação de Bombeamento do setor G, com vazão disponível de 4.208,4 m3/h, é constituída de cinco conjuntos eletrobombas, sendo que apenas três estão em condições de funcionamento: uma bomba (1090,8 m³/h) está na oficina do fabricante no Rio de Janeiro desde 1990 – O Distrito já adquiriu as peças e solicitou ao DNOCS o translado da mesma para ser recuperado em sua oficina - e a outra bomba está com problemas mecânicos e está sendo recuperada. Atualmente a estação está operando com 63% de sua capacidade.
Estação de Bombeamento H
A Estação de Bombeamento H, com vazão disponível de 4.770 m3/h, constituída de sete conjuntos eletrobombas, sendo que todos estão funcionando regularmente.
Atualmente a estação está operando com 90% de sua capacidade.
Reservatórios de Compensação
Reservatórios de compensação utilizados pelas Estações de Bombeamento B, C, D, E, G e H com capacidades de armazenamento de 20.000m3, 17.000m3, 17.000m3, 20.000m3, 20.000m3 e 18.000m3, respectivamente. Encontra-se em bom estado de conservação.
Redes Viárias
Originalmente o Perímetro possuía uma rede viária na 1ª Etapa com 12.878,00 m de comprimento e 20,00 m de largura (estradas principais). Atualmente a largura não ultrapassa a média de 8,00 m. Já as estradas secundárias com 183.105,00 m de comprimento possuíam originalmente 12,00 m de largura e hoje não ultrapassa 4,00 m em média.
Vale ressaltar que essas alterações foram efetuadas por iniciativas individuais e dificultam o escoamento da produção.
A rede viária da 2ª Etapa constituída de estradas principais com 13.960,00 m de comprimento por 6,00 m de largura e estradas secundárias com 131.000,00 m de comprimento por 4,00 m de largura.
É importante frisar que as estradas principais são “piçarradas” e as secundárias – tanto da primeira quanto da segunda etapa – são do tipo “terra solta”.
Tubulações de Aço
O sistema é composto por duas adutoras principais de aço de 1.305 mm de diâmetro e 845 m de extensão e uma tubulação de aço com 472,00 m de extensão, que conduz a água para a irrigação da 2ª etapa.
Em 2003 aconteceu um golpe de aríete, danificando totalmente uma das adutoras principais, comprometendo o fornecimento de água para irrigação. À época o Distrito de Irrigação comunicou ao DNOCS e as duas instituições conjuntamente colocaram a referida adutora para funcionar, ainda que em caráter provisório.
Outra providência tomada foi elaborar um orçamento com técnicos especialistas para a recuperação da mesma. Esta soma gira em torno de R$2.000.000,00, sendo liberado recursos na ordem de R$544.630,00 para recuperar parte da mesma. Atualmente essa obra está sendo licitada.
Tubulações de Cimento-Amianto
O sistema complementar de adução é constituído de tubulações de ferro fundido e cimento amianto. Esse sistema vem funcionando normalmente, embora devido ao tempo de utilização, vem surgindo alguns vazamentos, quebras e depósitos ferrosos, os quais vem sendo consertado continuamente.
Canais Principal e Secundários
Essa estrutura é composta de 6.356 m de canal principal, com revestimento de concreto e canais secundários com extensão de 11.707 m, revestidos com concreto. Embora o Distrito de Irrigação venha anualmente realizando serviços de manutenção, os mesmos ainda encontra-se com problemas de rachaduras verticais e horizontais nas placas e juntas de dilatação inexistentes.
Vale acrescentar que em 2001 o desperdício de água estava em torno de 30% e atualmente, a partir dos reparos efetuados em trechos críticos, o Distrito conseguiu diminuir as perdas para aproximadamente 22%, economizando por período de irrigação – 06 meses/ano – o equivalente a 5.000.000 m³.
Por outro lado, podemos reduzir essas perdas ainda mais se implantarmos a manta asfáltica em toda extensão dos canais, contribuindo para para economizar o bem mais precioso do universo – a água.
PARTE ELÉTRICA
Nos últimos anos, o Distrito de Irrigação tem investido maciçamente nos serviços de melhoria do sistema elétrico das estações de bombeamento, onde podemos destacar: Instalação de bancos de capacitores trifásicos 340 Kvar x 380V, Instalação de capacitor trifásico de 75 Kvar x 2400V; Instalação de alto transformador de partida de 250 CV x 380V; Instalação de chave secsionadora tripolar - abertura em carga de 400 A x 13,8Kv, Instalação de base de fusíveis de média tensão 400 A x 13,8 Kv; Instalação de disjuntor trifásico de alta tensão - 356 MVA x 630 A 17,5 KV; Instalação de luminária com lâmpada florescente Vapor de mercúrio; Instalação de base com fusíveis NH de 630 A x 500V; Instalação de contactor a vácuo 630 A x 2400V, bobina 220V; substituição de Cabos de alta tensão; Recuperação de transformadores; Instalação de chaves fusíveis; Troca de fusíveis diversos, Instalação de Amperímetro escala: 0 a 400/800 – 5 A; Instalação de horímetro totalizador de horas 220V x 7 dígitos; Instalação de reler de nível d’água de 220V; Instalação de disjuntores termomagnéticos de 1000 A x 500V VEG e de 1600 A x 500V VEG; Rebobinamento de motores elétricos trifásicos de 300 Cv, 380V, 1770 RPM; na subestação “G” foi substituído um transformador de 300 KVA por um de 500 KVA - passando assim a subestação rebaixadora de 800 KVA para 1000KVA. Destaca-se também a construção de abrigo para todas as subestações rebaixadora de tensão do Perímetro.
Esses serviços de melhoramento na estrutura elétrica das estações de bombeamento contribuíram para uma significativa redução no valor das faturas de energia elétrica, melhoraram a qualidade da energia usada, deram mais segurança aos operadores e manipuladores do sistema e deram mais garantia de uso aos equipamentos e unidades de bombeamentos instalados. Outro fator que pode ser levado em conta trata da queima de motores elétricos, que no passado girava em torno de 05/ano e atualmente este numero foi reduzido para 02/ano, gerando uma economia de aproximadamente R$ 25.000,00/ano.
13. IRRIGAÇÃO.
O Perímetro Irrigado Curu-Paraipaba foi planejado originalmente para ser operado através de irrigação por aspersão convencional e, somente nos últimos dez anos, com o advento de novas tecnologias, é que a irrigação localizada chegou ao conhecimento dos colonos do Perímetro. Assim, em linhas gerais podemos afirmar que 47,17% da área total do Perímetro (lotes e quintais) possui irrigação localizada.
Por outro lado, também é importante frisar que esta tecnologia foi implantada com recursos próprios e a maioria delas sem o devido acompanhamento técnico. Dessa forma, podemos dizer que a adoção dessa tecnologia não vem apresentando todos os benefícios esperados - maior eficiência do sistema e, consequentemente menor desperdício d’água. Vale frisar que também não ocorre a distribuição d’água de acordo com a necessidade hídrica das culturas, pois além do sistema de irrigação do Perímetro ser coletivo, o turno de irrigação é fixo para cada setor e de acordo com a disponibilidade hídrica dos reservatórios.
Um grande problema que enfrenta o perímetro nesta área, está associado à pressão de entrada nos lotes e quintais, que acontece devido a adulteração no sistema de irrigação das unidades parcelares (uso irregular por parte dos irrigantes), além dos vazamentos e dos próprios desgaste do sistema de irrigação de uso comum. O Distrito de Irrigação está fazendo um trabalho que promete a curto e médio prazo diminuir esse problema a partir da instalação de hidrômetros nos lotes, quando será regulada a vazão de entrada para 18.000 l/h. Acrescente-se que, a partir da instalação dos hidrômetros, os irrigantes poderão calcular precisamente, através da medição da vazão de entrada, a quantidade de água necessária para cada cultura.
Apesar dos serviços de recuperação e manutenção que vem sendo feito pelo Distrito de Irrigação nos últimos anos, os irrigantes não estão satisfeitos com a qualidade da pressão que vem chegando aos lotes: em relação aos resultados do “Marco Zero 25” apenas 10% consideravam a pressão péssima e hoje este número saltou para 15,3%,. Aqueles que consideravam a pressão como boa caiu de 48,4% para 36,1%. Por outro lado, registra-se que em 2001 apenas 4,2% dos entrevistados consideravam a pressão ótima e hoje esse percentual saltou para 6,0%.
Em relação a pressão dos quintais podemos comparar que em 2001 2,8% dos entrevistados consideravam a pressão ótima e hoje esse percentual saltou para 4,3%, enquanto que o percentual daqueles que consideram a pressão péssima passou de 21,4% para 27,9%,
Esse número de Unidades Agrícolas com problema de pressão limita a atividade exploratória agrícola e reduz a produtividade, colocando o colono em condições difíceis de arcar com as despesas de pagamentos de suas taxas no Distrito.
Vejamos a íntegra das tabelas 52, 53 e 54 a seguir.
Por outro lado, não podemos deixar de informar que desde agosto de 2006 o Distrito conseguiu junto a COELCE – a partir de relatório do consultor contratado pelo Ministério da Integração Nacional, Dr. Paulo Ramos – o direito de ser beneficiado pela tarifa “horário reservado”.
Esse benefício está garantindo uma grande economia para os irrigantes no que se refere ao pagamento da energia de bombeamento o equivalente a R$20.000,00/mês.
A seguir apresentaremos as planilhas, que trata de um resumo da economia conseguida através do horário reservado, por setor e por irrigante, durante os meses de julho e agosto do corrente ano.
HORÁRIO RESERVADO - ECONOMIA REAL - JULHO DE 2007
É importante informar que o horário reservado é de 21:30 horas até as 6:00 horas da manhã e o Perímetro está operando integralmente com este horário nas estações principal e reelevatória e nas estações “B”, “C”, “D” e “E” no horário de 4;00 horas até as 6:00 horas da manhã e nos setores “G” e “H” das 3:00 horas até as 6:00 horas da manhã.
Apesar dos avanços alcançados, estudos técnicos preliminares mostram que essa economia pode ampliar em até 59,5% - o que representa saltar de uma economia média de R$27,96/irrigante/mês para R$69,10 -, desde que a estação principal opere em 85% do horário reservado, a estação relevatória em 55% e as demais estações em 70%. Essa economia poderá significar aproximadamente R$51.270,00/mês, o que corresponde a R$307.700,40/ano para todo o Perímetro.
Para que essa meta seja materializada deverá ser liberados recursos para que os irrigantes possam converter o sistema de irrigação atual para irrigação localizada, o que demandaria recursos na ordem de R$3.600.000,00 de investimento.
Além dos recursos para a conversão do sistema de irrigação das unidades parcelares, faz-se necessário a garantia da assistência técnica continuada e compatível com a demanda do Perímetro, garantia de acesso ao crédito bancário para a diversificação de culturas, além de outras ações não menos importantes voltadas para a consolidação do agronegócio
28 de fev. de 2008
Sistema de Abastecimento D´Água
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